Espiritismo e Psiquê




9 de abr de 2012

Carlos Vereza - Efeito Especial Estilhaços Biográficos

  
     Queridos leitores,
     Assistindo à televisão, tive uma alegre surpresa. O ator Carlos Vereza lançou um livro em que conta suas memórias, é chamado "Efeito Especial, Estilhaços Biográficos".
      No livro, conta-se, entre outros fatos, o acidente ocorrido nas gravações de "Delegacia de Mulheres", o qual atingiu a audição do autor, provocando um zunido constante  que  o levou a parar de trabalhar, gerando nele uma depressão profunda, que só seria amenizada ao conhecer a Doutrina Espírita.
     Outro fato que me chamou a atenção é que neste livro ele relata sobre sua vida no período em que pertenceu ao partido comunista (momento em que foi torturado pela ditaduta duas vezes). Também, em um capítulo específico, ele relata sobre visitas de Karl Marx a reniões espíritas.
     Essas informações são apenas prévias do que assisti na TV, estou ansiosa para confirmá-las lendo o livro, principalmente quando ele relata sobre sua depressão que o levou a declarar que "depressão é a morte em vida". Assunto este que estou me dedicando a estudar incessantemente.
     Mais interessante do que ler biografias é ler autobiografias, é aprender com as alegrias e dificuldades enfrentadas pelo nosso próximo. Na minha humilde e pequena opinião, todos nós deveríamos fazer este exercício, como um diário. Lembro-me até  da passagem do Evangelho Segundo o Espiritismo em que Santo Agostinho nos recomenda que analisemos nosso atos ao final de cada dia, para melhoramos posteriormente. Acredito que a autobiografia tem esse "poder", porém  se torna público e pode incentivar (ou não) outras pessoas.

     Pesquisando na internet, consegui a orelha desse livro e alguns trechos dele, que espero aguçar a curiosidade de todos.

     Recomendo também o blog do ator:
    


Capa do livro
  

    Orelha:

Carlos Vereza chegou ao ápice de sua

carreira e caiu. Os prêmios por sua atuação

no filme sobre Graciliano Ramos, "Memórias

do Cárcere", renderam-lhe a fama que

todo ator almeja. Mas, desta vez, a vida lhe

armou uma trapaça e, no lugar de uma

cena bem sucedida, um erro involuntário

fez com que Vereza sucumbisse com o som

atordoante de um zumbido permanente no

ouvido, após o estouro da espoleta, preparada

com a pólvora em seu ombro esquerdo,

para a filmagem de uma cena de um

seriado de TV.

Nada mais corriqueiro, porém,

para ele, era o fim de uma longa caminhada

dedicada ao teatro, ao cinema e à televisão

e, durante três anos, parou de trabalhar,

devido à depressão que se abateu sobre ele,

após sucessivos tratamentos tentando a

cura - que começou a lhe parecer impossível,

até encontrar a resposta no espiritismo.

Vereza representou seu papel mais impressionante:

o de tornar-se si mesmo em busca

da verdade oculta sob aquele mal aparentemente

incurável.

Com esse objetivo, de trazer à

tona a história que cortou sua vida ao

meio, antes e depois dela, Vereza descreve,

em detalhe, o percurso de muitos anos que

se somaram nesse aprendizado. A espiritualização

foi a única saída para que retomasse

a sanidade e voltasse a atuar.

Quem não sabe o que havia

acontecido com o ator que sumiu por

alguns anos do cenário teatral e televisivo

pode agora acompanhar, pari passu, o

episódio que marcou sua vida.



THEREZA CHRISTINA MOTTA

POETA E EDITORA

    
     Eis uma avant-première do texto autobiográfico de Vereza, retirado do blog Dossiê Geral, o blog das confissões de Geneton Moraes Neto:

1

” CLÍNICA DO MORRO DOS VENTOS UIVANTES. 1990 . A clínica, suntuosa, ficava no alto de uma colina. São Paulo, inverno, vento cortante. Não sei por que me veio à mente um plano geral do filme O Morro dos Ventos Uivantes, onde o som da chuva e tempestade por instantes confundia-se com o zumbido, o que me proporcionou um grande alívio – era isso: tinha sempre que ter um grande ruído que cobrisse aquele horror na minha cabeça.

O Dr. O… dono da clínica, recebeu-me com extrema delicadeza, mas não conseguia conter a perplexidade ao apertar minha mão.

Meu aspecto era o de um aidético em fase terminal, eu estava com um pouco mais de 40 kg, trêmulo, amparado por um enfermeiro e Delma que ficou comigo, no mesmo quarto na primeira semana.

O Dr. O… e uma equipe de atendentes colocou-me em uma cadeira de rodas e conduziram-me por um interminável corredor até o quarto que eu deveria ocupar. Um dos enfermeiros, talvez para me animar, sussurrou no meu ouvido-sirene:

– Aí, ó! Você vai ficar no mesmo quarto que o Raul Seixas ficou.

Balancei a cabeça “agradecido” e o cara concluiu:

– Vai ver até que é a mesma cama!

Entramos. Era um quarto amplo, com a tal cama, uma mesa, duas cadeiras e uma pesada cortina cobrindo o que deveria ser uma janela.

(….) A enfermeira aproximou-se com a seringa, eu deitado na cama de Raul, como regularmente me era lembrado e, com o tom de voz de menininha que não cresceu:

– Senhor Vereza, sua veia é do tipo bailarina, mas fique tranquilo, que eu sempre consigo pegar.

Pegou. Senhoras e senhores! No mesmo instante em que o líquido era injetado em minha veia, entendi por que o Seixas se internou naquela clínica: todos os tipos de drogas experimentadas na década de 70 não passavam de Melhoral Infantil comparados àquela aplicação.

Imediatamente me vi girando numa espécie de disco 78 RPM, só que meio inclinado, e cada faixa era de uma cor. Eu agarrava uma banda do tal 78 e tive a sensação de sair voando pela janela, atravessando cortinas, vidraças e o que mais tivesse pela frente!

Vi-me criança, depois adolescente, indo do Lins de Vasconcelos para Cascadura, com a merenda embrulhadinha em papel de pão e envolta num guardanapo branquinho. Vi o Zepelim no quintal de minha madrinha, e comecei a escorregar de faixa em faixa até o que me pareceu ser o pino central que fazia o disco girar.

Lá estava eu de fardinha, esperando o meu padrasto na Avenida Presidente Vargas, expedicionário que voltava da Itália: fim da Segunda Guerra Mundial. Percebi minha mãe, atravessando o cordão de isolamento e correndo atrás do jipe e tentando beijar meu padrasto e acabou batendo a cabeça no capacete dele. Ouvi até o som daquela porradinha romântica.

Aos poucos, o disco foi girando cada vez mais lentamente, meio rouco enquanto arco-íris transmutavam-se em lanternas multifacetadas brilhantes e deslocavam-se, pouco a pouco, subindo pelas paredes do quarto e, como balões japoneses, flutuavam sobre minha cabeça. Não sei quanto tempo durou.

Quando consegui abrir os olhos, a enfermeira com voz de bebê não estava mais no quarto e, em seu lugar, uma moça sentada numa cadeira ao lado de minha cama chorava copiosamente. Soube depois que se tratava de uma psiquiatra que acompanhara toda a minha “gravação” em 78 RPM”

2

“BREVE SOLILÓQUIO: A minha ida a Paris não teve nada a ver com o glamour de autoexilado perseguido pela ditadura (embora eu tenha sido), nem o charme de sentar-me à mesa do Café de Flore, próximo ao de Sartre e Simone. Não: o fato em si, como já disse, foram os prêmios que me possibilitaram esta viagem. Se eles tivessem como destino o Alasca, o Tibete ou o Kilimanjaro, enfim, qualquer lugar que fizesse frio e ficasse bem distante do Brasil, eu teria ido da mesma maneira.

Fui sequestrado duas vezes, torturado comme il faut, minha mãe, em consequência, teve um aneurisma e morreu em sete dias, segurando a minha mão, e eu tive que ordenar aos médicos que desligassem os aparelhos.

Minha mãe, que num conjugado de vinte metros quadrados, escondera parte do Comitê Estadual do Partido Comunista, porque o filho pedia. Eu queria sair, desaparecer deste absurdo de país, que conseguiu ir da descoberta à decadência, sem fazer baldeação. Este povo apático, desfibrado… A verdade é que a Ditadura acabou, porque não interessava mais aos Estados Unidos. Os militares dizimaram os guerrilheiros e ainda contavam com o apoio de grande parte da classe média. Poderiam, se quisessem, permanecer mais uns dez anos no poder”.

3

“MURO DA VERGONHA. Berlim, 1986. Antes de voltar ao Brasil, Larissa perguntou-me o que era liberdade. Como não sei o significado até hoje, aluguei um carro por 250 francos, comprei tinta, pincéis, um balde e fomos até Berlim.

Mostrei-lhe o muro – realmente uma vergonha – expliquei-lhe que aquele paredão era a falta de liberdade; que famílias estavam separadas há anos e, quem tentasse fugir do lado Oriental para o Ocidental, era sumariamente executado.

Larissa não hesitou: “pegou o espírito da coisa”, mais um pincel e pichou em azul no muro: PAZ! BRASIL! Olhou para mim toda orgulhosa…

E ali, no olhar de minha filha, esvaneceu-se o comunista dentro de mim…”


     Abaixo uma entrevista de Carlos Vereza, no programa do Ronie Von em que fala do filme Bezerra de Menezes (em que foi protagonista) e um vídeo em que declama " A Caridade Segundo o Apóstolo Paulo", no 3º Congresso Espírita Brasileiro.






 

2 comentários:

  1. ME IDENTIFIQUEI COM A SUA CONFISSÃO QUE FEZ EM UM PROGRAMA DE TV QUANDO LHE PERGUNTARAM SOBRE DEPRESSÃO E VOCÊ RESPONDEU QUE VEM DO SEU ESPIRITO QUE TEM ÂNSIA DE REALIZAÇÕES FRUSTRADAS. EU TAMBÉM TENHO ESSA DEPRESSÃO. É MUITO SOFRIMENTO PARA MIM E PARA AS PESSOAS QUE ME RODEIA. JÁ FUI À PSICÓLOGOS, CENTROS ESPÍRITAS, IGREJAS EVANGÉLICAS, ME CONFESSEI COM ALGUMAS PESSOAS E NÃO CONSIGO ALIVIAR. EU NÃO ME RECORDO MUITO DA MINHA INFÂNCIA MAS O POUCO QUE LEMBRO FOI UMA FASE TRISTE, EU SEMPRE FUI UMA PESSOA ISOLADA DO MUNDO E AGRESSIVA COM AS PESSOAS E COMIGO MESMA. HOJE ESTOU LENDO ALGUNS LIVROS ESPÍRITAS PARA ENTENDER O QUE SINTO.

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  2. Me desculpe por não ter visto seu comentário antes... na minha pequena e humilde sabedoria, faço votos que vc não desista de se ajudar a entender o porque de tanto sofrimento. Os livros do espírito de Joanna de Ângelis, psicografados pelo médium Divaldo Pereira Franco são muito consoladores, no que tange a depressão e o autoconhecimento. A ajuda de um profissional é muito importante e acima de tudo é necessário paciência com nós mesmos, porque as respostas não são imediatas e sim parte de um processo doloroso, mas consolador.

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